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Blues é o género mais intrínseco à matéria humana. Tal como respiramos, andamos,como o nosso coração bate, ritmicamente funciona o blues. É possível reconhecê-lo sem lhe dar nome, sem o compreender em forma ou musicalidade, é tão intuitivo que reconhecemos o sentimento que o solista incorpora mal ele inicia o fraseado. É um monólogo, um

a conversa, uma divagação de nós para nós e dentro da sua imprevisibilidade consegue a expressão do leque de todas as emoções que um ser humano consegue compreender.

Não é surpreendente que o filme autobiográfico que estreia esta semana sobre Eric Clapton seja intitulado Life in twelve bars. A vida é exatamente como blues: seja o tempo o nosso ritmo, é uma progressão certa, com solos imprevisíveis.

No último concerto do Tiny Stage, os nossos alunos tocaram dois blues em trios. A maior parte deles não se conhecia, mas foi curioso que, assim que começaram a tocar, “inauguraram a palavra amigos”[i] em lá menor. Clapton concorda que nunca quis ser uma espécie de guitar god, ou lorded upon, “I wanted to be looked as a colleague[ii]. Essa foi a maior honra concedida pelos nomes emblemáticos de Blues com quem tocou, desde Buddy Guy a BB King, que o viram e trataram como músico e colega-  uma das maiores máximas da nossa academia.

Na entrevista a BBC radio, num tom distinto, determinado explica que blues não é fácil, no entanto Clapton “had no respect for anything that was easy (…) I identified with this”. Explica que nos maiores momentos de advsersidade self-pity and despair the only thing that was a light at the end of the tunel was this music

Neste filme auto-biográfico, Eric Clapton prova exactamente porque deve ser celebrado, por partilhando o seu passado de forma sincera, verdadeira, à revelia dos dias de hoje.

 

[i] Poema de Alexandre O’neill, Amigo.

[ii] BBC Radio interview -Clapton, E., 2018, janeiro 9, BBC radio – www.bbc.co.uk

 

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